Pertencendo
à história da cidade, o carnaval a cavalo
de Bonfim nasceu em meados de 1840, há aproximadamente
165 anos e é o único no País.
É uma festa pagã. Sua origem, no passado,
foi a cavalhada. A cavalhada é uma festa religiosa
e representa a Guerra Santa entre mouros e cristãos,
pela conquista da Península Ibérica. Os
cristãos, na cavalhada, se revestem de azul da
cor do céu, representando o bem e os mouros de
vermelho representando o mal. Nesta representação
de guerra, os cristãos sempre vencem. O objetivo
é transmitir uma mensagem religiosa bem óbvia:
o bem sempre vence o mal!
A cavalhada foi trazida, no passado, para Bonfim por um
Padre chamado Chiquinho, um europeu de Portugal. Era uma
festa religiosa, normalmente realizada em junho, em todo
país, em lugares como Amarantina, Caeté,
Pirinópolis e no interior do estado de Alagoas.
Entretanto, no passado, apareceu um Bispo da Igreja Católica,
do qual não se sabe o nome, que proibiu a cavalhada
em Bonfim.
Alguns cavaleiros, revoltados com a decisão do
Bispo, decidiram realizar a cavalhada, em uma data não
religiosa. Nascia, assim, em meados de 1840, o nosso carnaval
a cavalo, há aproximadamente 165 anos. Sem a tutela
forte da Igreja Católica a cavalhada foi se modificando.
As fantasias mudaram de cor, passaram a ser de várias
cores. Foram introduzidos os confetes e as serpentinas.
Em Bonfim tudo mudou! Simbolicamente, trocamos
o som sinistro das cornetas e trombetas pelo som empolgante
da banda de música, o som mortal dos canhões
pelo empipocar alegre dos foguetes, o fio afiado dos
sabres e das baionetas pelo desenrolar alegre das serpentinas,
o silvar cortante das balas pelo estremilhar saltitante
dos confetes, o som ensurdecedor das bombas pelo tilintar
incessante dos guizos, enfim, em Bonfim, transformamos
a festa religiosa e guerreira da cavalhada na festa
alegre e pagã do carnaval a cavalo.
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